Valor Econômico + Brasil é Cosi
abril 13th, 2009 | autor: admin | categoria: mídia | No Comments »

Em 1999 a dupla carioca Leonardo Lattavo e Pedro Moog criou, como hobby, o Sofá Knot que é definido por um enorme nó de espuma cilíndrica de 40cm de diâmetro. Em 2003 ao se depararem com uma capa de revista italiana com um móvel dos irmãos Campana (o sofá ´Boa´ criado em 2002) que era muito similar ao Sofá Knot, a dupla concluiu que “estava fazendo algo certo”. Alguns meses depois surgia a Lattoog Design especializada em design de móveis experimentais feitos com técnicas diversas e com a intenção de expressar a cultura carioca.
Pedro Moog: Designer auto-didata com formação acadêmica em Administração de Empresas.
É fundamental a conotação comercial, porque sem ele não é possível dar continuidade ao trabalho. Já expusemos na Zona Tortorna na Mostra Global Edit organizada pela revista inglesa Wallpaper* em 2006 no espaço Armani Casa. A falta de caráter comercial daquele evento se refletiu na inexpressível venda dos produtos expostos e na conseqüente falta de recursos para expor novamente em Milão.
o que significa para um designer expor no salão Internacional do Móvel de Milao?
Expor em Milão é uma legitimação de nosso trabalho, porém, mais do que tudo é uma grande oportunidade de darmos nossa contribuição na propagação da cultura brasileira.
você pode falar um pouco sobre sua peça à ser expostas em Milao?
Esta peça é mais uma de nossa série que foi desenvolvida tendo como diretriz a cultura nacional e utiliza técnicas construtivas de uso local comum.
Neste caso nos inspiramos nos gradis de janela que são associados aos subúrbios das cidades brasileiras e à classe média-baixa. Acreditamos, com esse projeto, ter conseguido elevar a estética desses gradis a ponto de serem considerados objetos de desejo. Esperamos também poder ter dado alguma contribuição para a recuperação de um precioso valor local que, como muitos outros, está caindo em esquecimento.
- como vç vê o cenário atual do design brasileiro?
O interesse do mundo pelo nosso design parece seguir em linha ascendente na mesma direção da moda e cinema e da ´marca´ Brasil´. No âmbito local os designers hoje estão a frente do que a industria local pode oferecer –- fabricantes e consumidores estão aprendendo a valorizar o design. Notoriamente, todas as fábricas que investiram em design perceberam os resultados positivos dessa iniciativa.
Esse tipo de ação é muito importante, pois a promoção do design nacional em outros países, além de divulgar a cultura brasileira, possibilita relações comerciais. Demonstra a qualidade e a capacidade do design brasileiro para o mundo.
Milão é, sem dúvida, o grande palco do design mundial. Ter a oportunidade de mostrar um produto no salão Internacional do Móvel de Milão significa o reconhecimento de um trabalho e uma ocasião favorável à conquista de novos mercados, por isso a enorme satisfação do convite.
Inspirada na natureza, a Fruteira Centopéia destaca-se como uma peça surpreendente, em que as frutas ganham conotação artística e decorativa a cada composição. Adapta-se em diferentes espaços e seu desenho permite utilizar os dois lados, comportando tanto frutas grandes quanto pequenas. Desenvolvida em material 100% reciclável à base de fibras naturais de coco, cana-de-açúcar e madeira. A preocupação ecológica está presente em todas as etapas de fabricação.
calendário 2009
Neste ano, a Fruteira Centopéia, além do salão de Milão, estará presente em outras exposições de destaque em diferentes países. Desde o início do mês de março até o mês de agosto, estará exposta em Hannover - Alemanha, devido à conquista do importante prêmio IF Products Design Awards 2009 e, a partir do mês de maio, estará exposta no Museu MOMA, em Nova York, pelo projeto “Destination Brazil”, através do qual designers emergentes e temas de várias partes do planeta são apresentados duas vezes ao ano. Cada coleção enfatiza uma cidade, país, ou região diferente e provê o contexto para apreciação das idéias, formas e materiais apresentados. Nesta ocasião, o país em destaque será o Brasil, com produtos aprovados pela curadoria do museu e disponíveis para venda através das lojas MoMA.
Está em crescimento, com grandes possibilidades, principalmente ligadas ao eco-design. É importante o Brasil, o país da Amazônia, assumir essa responsabilidade para dizer ao mundo que é possível um crescimento com atitudes ambientalmente éticas, com investimentos empresariais no eco-design e, principalmente, no desenvolvimento de novos materiais e tecnologias mais limpas e eficientes.

· o que você acha do projeto Brasil é cosi, que visa mesclar exposição de design brasileiro, porem de uma forma comercial?
É uma iniciativa que merece todo o apoio, não apenas pelo fato de mostrar ao mundo o jeito brasileiro de pensar e fazer design, mas posicioná-lo como uma forma única de percepção do mundo globalizado, com fortes características regionais mas sem xenofobias, consciente do mundo como um todo, valorizando nossa cultura, mas aberto ás novas idéias. Além de muitos valores subjetivos, nossas idéias são materializadas com qualidade e rigor técnico comparáveis aos melhores do mundo, mas com um tempero todo especial no modo de pensar e fazer, influenciado pelo imenso, rico e fervilhante caldeirão cultural que é o Brasil.
· o que significa para um designer expor no salão Internacional do Móvel de Milão?
Individualmente, é sem dúvida uma grande oportunidade de expor seu trabalho na maior e mais importante vitrine do mundo, porém mais importante do que isso, é o fato de estar participando de um movimento legítimo de afirmação do design brasileiro frente ao resto do mundo, como uma forma de descrever o mundo e sob uma ótica que é só nossa, transformando e re-significando as coisas de uma maneira alegre, original e descontraída.
· Fale um pouco sobre sua peça à ser expostas em Milao?
A poltrona TARRAFA foi, antes de tudo, concebida a partir da percepção de que responsabilidades social e ambiental são características obrigatórias e indissociáveis do design nos dias de hoje, primando pela valorização dos saberes de comunidades e seus indivíduos, através da remuneração justa e digna de seu trabalho, pela afirmação de seus valores, pela consciência da necessidade de preservar a diversidade cultural. Também como uma nova abordagem sobre como nos relacionamos com o meio ambiente e seus recursos, de como podemos modificar os padrões de produção e consumo mundiais a partir de um olhar estritamente regional.
A poltrona é composta de um aro de tubo inox de 1” de 900mm de diâmetro, sobre o qual é tecida uma rede de tarrafa, rede típica das lides pesqueiras dos imigrantes açorianos que povoaram o litoral catarinense a partir do final do século XVI. O pescador, e bom tarrafeiro, demonstra ter habilidade de lança-la sobre um cardume, e quanto mais perfeito for o círculo formado pelas bordas da rede quando atingem a superfície da água, melhor o tarrafeiro, daí a forma circular do sua estrutura. Também a maneira de tecer a tarrafa é especialmente interessante: a partir do centro e com dois agulhões, o pescador tece a rede, praticamente sem emendas, até envolver a estrutura de inox na trama. Terminado o serviço, os agulhões permanecem como elemento decorativo. Sobre esta estrutura, é aplicada uma capa feita com retalhos de neoprene, o mesmo material utilizado no tapete. Este material é feito a partir do reaproveitamento de sobras neoprene das roupas de surf produzidas pela Mormaii, um dos maiores fabricantes mundiais do segmento, e com fábrica na cidade litorânea de Garopaba, SC. Assim, a poltrona TARRAFA cumpre a sua função social e ambiental de forma positiva, não apenas para o usuário final, mas também em todo o processo, gerando renda para os pescadores e dando uma nova possibilidade para o uso para as aparas do neoprene, um material resistente e de excelente qualidade, evitando o seu descarte imediato no meio ambiente.
· como vê o cenário atual do design brasileiro?
O momento é de consolidação de todo um pensar e fazer tipicamente brasileiro, e no melhor dos sentidos, graças a nossa facilidade de adaptação, a capacidade de propiciar um ambiente de convivência pacífica entre diversas culturas, a nossa pluralidade, a nossa tolerância e gosto pela diversidade, criamos um ambiente fértil para novas possibilidades de nos relacionarmos com o mundo, mas sem jamais perder a identidade. Agora, através do nosso design, não apenas dizemos que o Brasil é assim, mas que o mundo, visto do Brasil, é assim.


· o que você acha do projeto Brasil é cosi, que visa mesclar exposição de design brasileiro, porem de uma forma comercial?
É uma iniciativa que merece todo o apoio, não apenas pelo fato de mostrar ao mundo o jeito brasileiro de pensar e fazer design, mas posicioná-lo como uma forma única de percepção do mundo globalizado, com fortes características regionais mas sem xenofobias, consciente do mundo como um todo, valorizando nossa cultura, mas aberto ás novas idéias. Além de muitos valores subjetivos, nossas idéias são materializadas com qualidade e rigor técnico comparáveis aos melhores do mundo, mas com um tempero todo especial no modo de pensar e fazer, influenciado pelo imenso, rico e fervilhante caldeirão cultural que é o Brasil.
· o que significa para um designer expor no salão Internacional do Móvel de Milão?
Individualmente, é sem dúvida uma grande oportunidade de expor seu trabalho na maior e mais importante vitrine do mundo, porém mais importante do que isso, é o fato de estar participando de um movimento legítimo de afirmação do design brasileiro frente ao resto do mundo, como uma forma de descrever o mundo e sob uma ótica que é só nossa, transformando e re-significando as coisas de uma maneira alegre, original e descontraída.
· Fale um pouco sobre sua peça à ser expostas em Milao?
A poltrona TARRAFA foi, antes de tudo, concebida a partir da percepção de que responsabilidades social e ambiental são características obrigatórias e indissociáveis do design nos dias de hoje, primando pela valorização dos saberes de comunidades e seus indivíduos, através da remuneração justa e digna de seu trabalho, pela afirmação de seus valores, pela consciência da necessidade de preservar a diversidade cultural. Também como uma nova abordagem sobre como nos relacionamos com o meio ambiente e seus recursos, de como podemos modificar os padrões de produção e consumo mundiais a partir de um olhar estritamente regional.
A poltrona é composta de um aro de tubo inox de 1” de 900mm de diâmetro, sobre o qual é tecida uma rede de tarrafa, rede típica das lides pesqueiras dos imigrantes açorianos que povoaram o litoral catarinense a partir do final do século XVI. O pescador, e bom tarrafeiro, demonstra ter habilidade de lança-la sobre um cardume, e quanto mais perfeito for o círculo formado pelas bordas da rede quando atingem a superfície da água, melhor o tarrafeiro, daí a forma circular do sua estrutura. Também a maneira de tecer a tarrafa é especialmente interessante: a partir do centro e com dois agulhões, o pescador tece a rede, praticamente sem emendas, até envolver a estrutura de inox na trama. Terminado o serviço, os agulhões permanecem como elemento decorativo. Sobre esta estrutura, é aplicada uma capa feita com retalhos de neoprene, o mesmo material utilizado no tapete. Este material é feito a partir do reaproveitamento de sobras neoprene das roupas de surf produzidas pela Mormaii, um dos maiores fabricantes mundiais do segmento, e com fábrica na cidade litorânea de Garopaba, SC. Assim, a poltrona TARRAFA cumpre a sua função social e ambiental de forma positiva, não apenas para o usuário final, mas também em todo o processo, gerando renda para os pescadores e dando uma nova possibilidade para o uso para as aparas do neoprene, um material resistente e de excelente qualidade, evitando o seu descarte imediato no meio ambiente.
· como vê o cenário atual do design brasileiro?
O momento é de consolidação de todo um pensar e fazer tipicamente brasileiro, e no melhor dos sentidos, graças a nossa facilidade de adaptação, a capacidade de propiciar um ambiente de convivência pacífica entre diversas culturas, a nossa pluralidade, a nossa tolerância e gosto pela diversidade, criamos um ambiente fértil para novas possibilidades de nos relacionarmos com o mundo, mas sem jamais perder a identidade. Agora, através do nosso design, não apenas dizemos que o Brasil é assim, mas que o mundo, visto do Brasil, é assim.